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Convidado especial - Cid Barbosa

Fala galera! Bem-vindos novamente ao Blog do Crazy! Esta semana convidei o melhor atleta age group do país, a quem devo 90% do que sei hoje, principalmente a minha corrida. Ele morou comigo em 2014/2015 e foram 2 anos incríveis que me tornaram o atleta que sou e me trouxe a vontade de voltar a competir profissionalmente.


Olá pessoal,

Primeiro tenho que iniciar agradecendo ao meu irmão Vinicrazy a oportunidade de poder fazer parte, mais ou vez, dos seus projetos. Este, com certeza, surgiu da ideia de ajudar de alguma forma as pessoas que o acompanham e admiram seu trabalho e, como disse, vou tentar contribuir sempre da melhor maneira possível.

A escolha deste tema inicial foi uma sugestão dele e concordei pois foi realmente a primeira coisa que trabalhei com ele e que conseguir detectar desde a primeira vez que treinamos juntos. O conheci através de amigos em comum e estes já falavam que o Vini era um atleta muito forte, fora da curva para algumas características. Ele treinava na época com um técnico estrangeiro que utilizava bastante nos treinos intensidades curtas e intensas e um dos primeiros treinos que fizemos juntos ele me mostrou o quanto era forte nesta situação. Nos treinos seguintes também vi muito do que citei antes mas nos momentos em que tínhamos que treinar fácil e contínuo ou em ritmo de prova por um tempo maior observei suas fraquezas. Lembro claramente de dois treinos, um longo de corrida e uma T2 onde no primeiro ele me fez parar umas 10 vezes durante a corrida para andar simplesmente porque ele não conseguia fazer de forma contínua, inventava mil desculpas para andar e parar o treino. No segundo, era para correr 10km em um ritmo próximo a 4min/km logo após a bike mas nos primeiros kms ele me pediu para parar ou diminuir mesmo eu sabendo que não era preciso. Neste dia comecei já a plantar uma semente mais positiva em sua cabeça e pedi para que corresse um pouco mais pois a sensação ruim logo iria parar. Assim foi, no decorrer do treino ele começou a se sentir bem, tão bem que eu tinha que ficar freando o ritmo e acho que este foi o primeiro dia que ele fez uma T2 neste ritmo sem parar.

Por este motivo e por alguns outros logo conclui que ele realmente era um atleta muito forte, com um potencial enorme mas que o estilo de treinamento, para o momento, estava errado. O técnico estrangeiro usava um método bastante usado lá fora por muitos atletas profissionais mas para o Vini estava potencializando o que ele tinha de melhor, e isso é bom, mas estava piorando seus pontos fracos o que no conjunto da obra era horrível. Conversando nas primeiras semanas de treinamento, Vini me chamou para ser seu treinador e iniciamos o trabalho que nos rendeu ótimos frutos.

Iniciamos o bloco de treinamento que tinha como objetivo um Ironman, com uma base aeróbica, de muito volume e pouca intensidade. Durante o treino eu tinha que ir conversando e mostrando a importância destes treinos e dosando a intensidade, pois é aqui que ele e a maioria dos atletas do Brasil erram. Aos poucos ele foi gostando destes treinos e nas corridas longas, principalmente, tivemos um ganho bem rápido. Brincamos hoje em dia que agora ele que não quer mais me esperar nem para “mijar” rsssssssss.

Em seguida, a missão era treinar na intensidade da prova, lembrando que era um ironman. Precisamos planejar que tipo de periodização, que variáveis do treinamento vamos utilizar com o atleta observando suas características. Com o Vini eu usei bem mais race pace do que costumo pois ele precisava disso, precisava sentir algumas sensações de prova que ele não sabia lidar tão bem mesmo já tendo conseguido bons resultados antes. Trabalhando desta forma, além de melhorar seu Limiar Aeróbico, eu estava trabalhando seu mental, mostrando que ali era a zona que ele ia ter que usar na prova e mostrando que era capaz.

Este caso do Vinicrazy é muito comum nos atletas amadores do Brasil. Com a mídia mostrando um pouco do que muitos atletas profissionais fazem, os amadores querem seguir como se fosse uma receita igual para todos. Entretanto, antes de se trabalhar determinada coisa, precisamos trabalhar outras. Vejo muitos atletas, mesmo experientes, treinamento a uma velocidade bem rápida, treinos com características mais de limiar ou race pace e na prova pedalam ou correm bem acima. Precisa definir melhor estes parâmetros, pois não adianta ser leão de treino e não mostrar isto na prova.

Eu tinha exemplos, do que utilizamos com o Vini, para escrever um livro. No entanto, para resumir, ele tem características genéticas de um atleta com parâmetros para intensidades relativamente curtas bem alto o que para o estilo das provas de hoje é bem favorável. Só para não esquecer, ele odeia testes em campo e se recusa a fazer. Certamente, um perfil de potência de bike, se feito por ele, iria dar ótimos números, também, na potência de 1s, 5s, 1min e 5min. Voltando, quando o assunto é intensidade é difícil encontrar um melhor no triathlon hoje no Brasil e aos poucos ele vem se tornando um atleta mais completo. Ele é novo no esporte quando falamos em alto rendimento no triathlon, mas com sua dedicação vem conseguindo seu espaço e eu acredito que em breve vai colher bons frutos.

Para finalizar, acho que este exemplo mostra a importância do atleta seguir um planejamento mais específico para ele e não sair copiando ou treinamento com uma “receita de bolo” feita por muitos. Espero ter contribuído um pouco para estes que seguem a rotina deste atleta, amigo e irmão que tenho muito orgulho e que mesmo estando distante estamos sempre juntos.

Cid Barbosa

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